29 março 2013

Lisboa esvaziada

Tal como em pleno Agosto, nas férias da Páscoa ou nos feriados, Lisboa fica uma cidade muito mais apetecível para circular a pé ou de bicicleta. O "trânsito" desaparece para outras bandas...


Todas as últimas sextas-feiras do mês, a Massa Crítica de Lisboa acontece. Para lá de qualquer motivação pessoal de cada participante que se junta ao movimento, este encontro tem como um dos objectivos chamar a atenção dos automobilistas que Lisboa até é uma cidade onde é possível circular de bicicleta.

Nem por acaso, hoje também se realiza o 2º aniversário da Cicloficina dos Anjos, que após cerca de 100 semanas de funcionamento voluntário, irá fazer uma festa de celebração e convívio para a comunidade ciclista com comes, bebes e música.


27 março 2013

Um problema cultural


Este é o exemplo é típico: De todos os carros enfileirados, só 1 teve o pudor de não estacionar no passeio desta rua de Alfama.

Esse 1 bastou para demonstrar que o facto de estacionar fora do passeio não "atrapalha" o transito: Na verdade, mesmo na hipótese bastante improvável de atravessarem a rua, ao mesmo tempo, 2 veículos em sentidos diferentes, mesmo nessa hipótese, os 2 conseguiriam cruzar-se com bastante espaço, tendo apenas, quanto muito, que abrandar um pouco para fazer a manobra em segurança.

A irracionalidade buçal da decisão da maioria dos automobilistas que ali estacionaram é constrangedora e demonstra como o problema dos carros em cima do passeio é cultural e está fortemente enriazado.

Assim, em relação às opiniões que apareceram neste post, acho que todos têm razão: Não só, infelizmente, a Câmara terá de continuar a gastar balúrdios para proteger a nossa calçada portuguesa, instalando pilaretes (e reparem como no outro lado ninguém estaciona), como será necessário haver uma mudança na mentalidade dos automobilistas e essa mudança tem de começar com a efectiva fiscalização por parte da polícia do estacionamento em cima do passeio...

É que, note-se, a esquadra está mesmo ali ao fundo da rua... 

26 março 2013

Alfama 1930


Alfama A Velha Lisboa
João de Almeida e Sá - Realizador
Portugal, 1930
Género: documentário
Duração: 00:27:35, 18 fps
Formato: 35 mm, PB, sem som 
AR: 1:1,33
ID CP-MC: 2002489-003-00.36.38.01 

Site noticioso sobre Lisboa

O Corvo nasce da constatação de que cada vez se produz menos noticiário local. A crise da imprensa tem a ver com esse afastamento dos media relativamente às questões da cidadania quotidiana. Em paralelo, se as tecnologias cada vez mais o permitem, cada vez menos os cidadãos são chamados a pronunciar-se e a intervir na resolução dos problemas que enfrentam. Gostaríamos de contar com a participação, o apoio e a crítica dos lisboetas que não se sentem indiferentes ao destino da sua cidade. Queremos proporcionar o debate e cobrir temas que vão desde o aumento das rendas aos novos locais de lazer ou bandas de música, dando especial ênfase a tudo o que tenha que ver com a qualidade de vida das pessoas que aqui vivem e trabalham. Ambiente, transportes, habitação, espaço público e património serão aqui presenças frequentes.

É de saudar este tipo de iniciativas com rigor jornalístico. Um site a ir espreitando...

O astrólogo Marcelo


Foto AQUI
O aumento do número de ciclistas em Lisboa nos últimos anos, em linha com a generalidade das Cidades Europeias, com as pessoas a deslocarem-se para o trabalho e muitas empresas da Cidade já a criarem condições para se ir de bicicleta, lembra-me sempre os comentários semanais do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa. Em Junho de 2007 (em campanha autárquica), numa das suas análises "objectivas" sobre os mais diversos assuntos da actualidade, referiu-se a propósito da participação de António Costa num passeio de bicicleta em Lisboa que "se há cidade onde não faz sentido defender a bicicleta com as sete colinas é Lisboa. (...) Andar de bicicleta em Lisboa, teoricamente é impossível (...)".
Numa cidade em que mais de metade é um enorme planalto para norte do Saldanha e onde a zona ribeirinha tem só cerca de 15km, certezas destas lembram-me o pior da astrologia. A foto acima trata de uma concentração de bicicletas em 1911 na Praça do Comércio. A bicicleta era um veículo comum na Cidade de Lisboa para o dia a dia. As pessoas estão vestidas normalmente, não são desportistas. Alguma coisa mudou na Cidade para que a bicicleta tenha diminuido drasticamente. E não foram as 7 colinas. Foi outra coisa. E enquanto estas certezas vigoraram em Lisboa, essa "coisa" de que falo teve caminho aberto para prosperar, destruindo-se com isso o espaço público e consumindo-se muitos milhões em recursos financeiros que hoje nos fazem tanta falta em áreas básicas.
O carro tem importância no nosso quotidiano. A bicicleta sózinha nunca responderá a todas as necessidades. Mas se queremos falar de eficiência urbana e bom uso dos dinheiros públicos, mais espaço pedonal, mais bicicletas e melhores transportes públicos têm que estar, os três, no centro da nova agenda. Isto por mais que custe às certezas de alguns astrólogos. 

25 março 2013

Rossio Nostrum

Estação do Rossio com o alto patrocínio da Tagus (um verdadeiro ícone que atravessa continentes nas fotos dos turistas que nos visitam)!





E como não é só a imagem que conta... esperam-se algumas mudanças no ordenamento logístico na zona da Baixa. A saber: Estudo de logística urbana para a Baixa de Lisboa
Parece-me um bom caminho na procura pelo ordenamento do espaço público, do transporte de mercadorias e das operações de cargas e descargas. 
Talvez assim se consiga contribuir para a valorização do espaço público, preservando o peão, assegurando-lhe uma visibilidade aceitável, diminuindo a existência de obstáculos à mobilidade pedonal e/ou a ocorrência de danos que provocam irregularidades nos pavimentos.

23 março 2013

Até quando?

Enquanto Lisboa recupera a sua frente de rio, onde é que os Concelhos vizinhos gastam o dinheiro?
Em Oeiras já sabemos: Parque dos Poetas: 27 milhões de Euros de obra, por 7 hectares de jardim.
E Cascais?
Admite-se que entre Lisboa e Cascais, no Século XXI, não se consiga ir a pé ou de bicicleta?

Mais um pouco de rio para nós (II)

Foto AQUI
Pronto! Aparentemente, aprovado pelos utilizadores!

22 março 2013

Mais um pouco de rio para nós

Ciclovia Ribeirinha, ANTES e DEPOIS (2009)
 
Vem já desde 2008 a recuperação da frente ribeirinha.
Quem não se lembra da frente de rio como que calafetada de carros entre as docas de Sto Amaro e a Estação de Belém?
Amanhã 23 de Março teremos mais um troço inaugurado, a Ribeira das Naus, enquadrando-se na Praça do Comércio requalificada a Nascente e a frente do Cais do Sodré / Agências. E que não fique por aqui.

21 março 2013

Arrumadinhos e alinhadinhos

Calçada da Ajuda: todos arrumadinhos, alinhadinhos, impecáveis...mas no passeio!
Do outro lado, como se vê, é igual.
Para mais o espaço viário até é largo...Lembro-me sempre da polémica que este meu POST deu há tempos, a propósito de ter considerado o pilarete o "melhor amigo do Homem". E não é?

19 março 2013

Eu não queria estar na sua pele

Foto AQUI
João Semedo, candidato do Bloco de Esquerda em Lisboa. 
Dizem-me que é uma pessoa afável, honesta, leal. Mas eu não queria estar na sua pele.
É que António Costa tem cumprido, apesar do contexto económico adverso, uma considerável parte das promessas que, nomeadamente em 2005 e 2007, o BE protagonizava no seu programa. 
Maior transparência no urbanismo, implementação do Plano Verde e dos corredores verdes, a devolução da zona ribeirinha aos Lisboetas, a defesa do transporte público e a aposta no controlo municipal pela sua gestão, o contrariar da hegemonia do automóvel contra o peão agrilhoado e a aposta em mais e melhores espaços públicos, a aposta na bicicleta e nas hortas urbanas, o orçamento participativo, a aposta no mercado de arrendamento e na criação de condições para a requalificação urbana do centro, a requalificação e dinamização de grande parte dos parques e jardins, a aposta na dinamização cultural, nas artes e nas performances criativas, entre outras. 
Claro que em política podemos passar por cima de tudo o que foi feito e focarmo-nos nos pontos que, por esta ou por aquela circunstância, estarão menos conseguidos ou apenas parcialmente implementados, e torná-los na base de uma campanha de contestação. 
Mas para quem esteja de fora, esta será sempre uma candidatura sobretudo de afirmação partidária, que tudo faz para "vir a jogo", nem que para isso tenha que candidatar um dos seus líderes, e que tudo fará para tentar manter o seu eleitorado tradicional, mas muito dificilmente digo eu conseguirá atrair simpatias para além dessa esfera. 
Tentar-se-á dizer que "são todos iguais, o PS e o PSD". Mas de facto António Costa conseguiu mostrar que é possível ir além das análises comuns e Lisboa, com a sua obra, tem sido de alguma forma a imagem disso.
As últimas eleições autárquicas foram trágicas para o BE que viu reduzida a sua implantação de forma drástica em Lisboa. O desafio que se coloca agora é, no mínimo, tão complexo como nessa altura.
*sou colaborador do Vereador José Sá Fernandes na CML

17 março 2013

Tanto potencial...

A "outra margem" tem um potencial incrível. E não é só a vista para Lisboa que é excepcional qualidade. 

A própria margem do rio, com pequenas enseadas e micro-praias de areia, as vertentes ainda em boa parte naturalizadas e repletas de biodiversidade que não julgamos possivel em frente a uma área tão urbanizada.  
Junto a Cacilhas, o casario abandonado ao longo da margem merece um tratamento de urgência, já que está em derrocada imimente. Esta margem faz parte,por Natureza, do roteiro turistico de excelência de Lisboa.

O Bloco aposta forte em Lisboa



O Bloco de Esquerda vai candidatar (um dos seus) líderes à Câmara Municipal e a sua deputada mais prestigiada à Assembleia Municipal.

Depois de umas desastrosas eleições autárquicas há 4 anos, o Bloco aposta na reeleição de um Vereador para Câmara de Lisboa como em 2005 e 2007.

A dificuldade é que estes 2 dirigentes nacionais do Bloco nunca fizeram política autárquica. Terão que perceber que quem não é "político profissional", não pensa tanto em função de "eu sou de partido A e não gosto do B", mas sim "quem é que fará melhor trabalho uma vez eleito".

Vão ter de se preparar e pensar a política das cidades, evitando um pouco o modelo de intervenção feito até agora, em que a política autárquica aparece um pouco como uma extensão da política nacional (exemplo: a questão da privatização da EPAL) quando não é um mero discurso sem qualquer ligação a problemas concretos dos cidadãos (como toda a campanha feita contra o fundo imobiliário da CML que nem sequer chegou a existir).

Idêntico problema, aliás, parece ter o João Ferreira da CDU, deputado no Parlamento Europeu.

Pelo que ouvi na televisão (que naturalmente pode enviesar a minha percepção), o ataque a António Costa é porque foi reduzido o numero de Freguesias em Lisboa.

Ora, não só há anos que se considerava que o número de Freguesias em Lisboa era (e na verdade continua a ser) um exagero, como - se exceptuarmos as pessoas que pertencem a um partido político e/ou trabalham numa junta - a esmagadora maioria dos lisboetas, tem dezenas de problemas na sua cidade que gostariam de ver resolvidos primeiro, antes mesmo de sequer começarem a pensar quantas freguesias há em Lisboa ou a que freguesia exactamente pertence a sua rua.

No entanto, João Ferreira tem a apoia-lo um Partido que está em dezenas de Executivos de Junta de Freguesia e, por essa via, existem largas dezenas de apoiantes e candidatos CDU que têm de lidar quotidianamente com os munícipes, os seus problemas, as suas sugestões...  O BE, não só ficou reduzido a 18 eleitos nas juntas depois do último desastre eleitoral, como tem tido como linha recusar participar em Executivos (mesmo que sejam só de Junta de Freguesia).

15 março 2013

Patrulha a cavalo

Custa-me entender qual a pertinência de a GNR ainda efectuar patrulhas a cavalo nas ruas de Lisboa...

13 março 2013

Portela +1: o Aeroporto "José Malhoa"

Para os defensores da solução "Portela+1", aqui está uma localização que ainda ninguém pensou:
Mesmo no miolo da "Avenida dos Bancos e Hotéis , a que já se chama na gíria turística de "Financial Centre", eis uma verdadeira pista de aterragem que ainda ninguém viu. 4 faixas, sem árvores, quase sem trânsito... Das duas uma: ou se anulam 2 faixas e se qualifica a Avenida com arborização e passeios largos, ou talvez se pudesse converter, tal como está, em aeroporto para vôos de negócios, jactos privados e afins...

O princípio do fim das bicicletas partilhadas em Lisboa

O princípio das bicicletas partilhadas é simples: estou no local X e quero ir ao local Y. Se a distância é algo entre 1km a 5km, a bicicleta é provavelmente o meio de transporte mais rápido para fazer esse percurso. Mas... há um detalhe, há que ter uma bicicleta. Há que trazê-la de casa, há que levá-la para casa, há que andar todo o dia com ela atrás.
Um taxi pega-nos e deixa-nos num sítio qualquer, e o sistema de bicicletas partilhadas segue a mesma ideia. Apanho uma bicicleta em X, largo-a em Y, e não me volto a preocupar. Para tal são necessários vários pontos com bicicletas estacionadas, prontas a serem apanhadas e largadas.
Um grande número de cidades europeias já aderiu a este sistema. Em muitos casos, como Barcelona, Lyon ou Paris, o sistema revolucionou a mobilidade na cidade, tendo sido o detonador do boom da mobilidade ciclável nessas cidades.
Em Lisboa a ideia existe há vários anos. Já houve concurso lançado, diálogo concorrencial, vencedor, avanços e recuos, e finalmente a falta de financiamento parece ter posto esta revolução de mobilidade em banho-maria. 
A CML parece agora desistir do programa em favor de uma versão anorética do mesmo. A EMEL (que já tem um serviço de aluguer de bicicletas a quem estacione nos seus parques... cujo sucesso é no mínimo duvidoso) ficará encarregada de fazer um sistema de aluguer para inglês ver, que será restrito a meia-dúzia de locais na cidade. A grande vantagem do bike-sharing é a sua versatilidade, introduzir um sistema anorético é como iniciar um sistema de taxis com apenas meia dúzia de pontos de partida e chegada dentro da cidade. Quem quer apanhar o seu taxi/bicicleta partilhada noutro ponto qualquer ou sair noutro ponto qualquer, que traga o seu carro/bicicleta de casa. Poderá funcionar como serviço de passeio, mas dificilmente será um serviço de transporte.
O grave é que depois do mais que provável falhanço desta alternativa, dificilmente haverá espaço de manobra político para lançar um sistema decente.



12 março 2013

The "Onions Field Square" Renovation Project

Às vezes até é mais fácil dizê-lo em Inglês, como referia a música... Quando vi que tinha ganho o Arqº Carrilho da Graça confesso que temi o pior e preparei-me para a tradução da solução...
Eis que quando vi esta simulação tive uma sensação de alívio. Sem carros, simples, com muitas árvores. Um verdadeiro terreiro! Gosto da solução e tiro-lhe o chapéu. Mas há que acautelar:
- esperemos que o pavimento seja permeável e freável, e não mais um campo de ténis do estilo da Praça do Comércio;
- hoje o Campo das Cebolas tem um minusculo mas verdejante jardim. Mesmo assim existe e até anda bem tratado. A Cidade Histórica está a perder, com as novas intervenções, o que resta da matriz verde, tornando-se monotonamente inerte. O Campo das Cebolas deveria integrar uma zona verde, contida e trabalhada para ser usada. E não alterava o conceito, antes o reforçava.
- O silo automóvel tem que ser uma estrutura integrada na sensibilidade histórica do lugar. Prefiro silos automóveis a estacionamentos subterrâneos, para mais numa área sensível como esta. Mas muita atenção à solução que, a ser mal definida, pode ter impactes de monta naquele espaço.
Foto retirada AQUI

11 março 2013

Requalificação da Alameda da Universidade

Já na campanha para as eleições autárquicas de 1997, quando acompanhei António Abreu a uma reunião na  Universidade de Lisboa com as Associações de Estudantes das escolas da Universidade, os estudantes queixavam-se da autentica auto-estrada que atravessa a Cidade Universitária, com evidentes problemas de segurança, de poluição (sobretudo sonora), e tornando a alameda da universidade num sítio desagradável para se estar.

Há cerca de 3 anos foram feitas importantes obras de requalificação nas laterais da alameda. Os taludes, mais ou menos abandonados, serviam para estacionamento desordenado. O estacionamento foi retirado e foram criados caminhos pedonais e cicláveis... Ainda assim, não há obra de requalificação que possa resultar bem ao lado da omnipresente auto-estrada, com o ruído incessante dos pneus na estrada, dos motores e das buzinas, que se insiste em usar, apesar de serem proibidas dentro das localidades pelo código da estrada.


São por isso muito bem vindas as obras que começaram hoje na zona e que segundo as notícias pretendem condicionar o transito dentro do Campus, bem como eliminar o parque de estacionamento em frente à reitoria e criar uma esplanada.

Uma esplanada ao pé de uma auto-estrada, como hoje temos, seria impossível resultar, mas a dinâmica de convívio e circulação de pessoas que o projecto - apresentado no âmbito do Orçamento Participativo - pode proporcionar aquela zona, pode ter efeitos positivos não só na Alameda, mas até por ali abaixo, para o jardim do Campo Grande, um dos mais notáveis da cidade, mas também abandonado porque rodeado de faixas de rodagem, com transito de alta velocidade.



Face a estas boas notícias, Carlos Barbosa, presidente do ACP, decide expor em público uma vez mais a sua boçalidade:  «É evidente que é uma estupidez completa, só uma pessoa muito incompetente como é o caso de Manuel Salgado é que pode continuar a fazer estas parvoíces todas na cidade de Lisboa».

Estas e outras declarações não são só motivadas por interesses partidários.

É sabido que Carlos Barbosa foi candidato à CML pelo PSD e fez sempre oposição ao executivo camarário, utilizando às vezes os próprios meios do ACP para o efeito... Mas obviamente que o PSD não olha para a cidade como um gigantesco parque de estacionamento, atravessado por vias rápidas por todos os lados... O que aqui temos é um caso sério de cretinice que os media, claro, aproveitam sempre, como quem aproveita as declarações de Alberto João, na festa do Chão da Lagoa, já com uns copitos a mais.




10 março 2013

Ala Poente ou a "dos carros" estacionados

Terreiro do Paço: Na foto só se registam 7 carros, mas ao todo nesta ala Poente estavam, às 14:00h de 08 de Março de 2013, nada mais nada menos do que nove carros. 
Passe-se por lá e repare-se que é muito dificil não haver carros na praça do comércio. 
Entre carros governamentais, cargas e descargas e taxis, o carro é uma presença constante. E por cá já se sabe como funciona: "Sr. Guarda, são 5 minutos, volto já" ou "Aguardo o Sr. Director-Geral, está mesmo a descer" ou simplesmente deixo ali o carro e é tão escandaloso que o polícia vai achar que trabalho aqui. 
No Terreiro do Paço, a Ala Nascente é a das esplanadas. A Ala Poente é a dos carros. 

Transportes Públicos na AML

Com elevação critica, hoje debateu-se o enquadramento político, o papel dos operadores e os impactes sociais dos Transportes Públicos na Área Metropolitana de Lisboa...

Muitos indicadores atuais fazem-nos concluir que atravessamos um momento socialmente sensível e particularmente marcante para o sistema de transportes nas áreas metropolitanas. 

As mudanças politicas em curso determinaram alguns aumentos tarifários do transporte coletivo, contribuindo para a diminuição da sua atratividade para o utente. Esta consequência sabemos estar totalmente desalinhada das politicas europeias de transportes, em particular, no que diz respeito à necessidade de reequilíbrio da repartição modal e de desincentivo da opção pelo transporte individual motorizado privado.

A sustentabilidade das empresas do setor dos transportes é essencial mas não pode ser analisada de forma isolada ou sem um entendimento económico mais abrangente. O sistema de transportes tem um carácter transversal e a sua relação com o planeamento e ordenamento do território é por demais evidente! Portanto, urge pensar no atual conceito de prestação de serviço público, assim como, nos vários modelos de financiamento possíveis para o efeito!




Sendo esta uma questão completamente transversal a matérias como a habitação, emprego, ambiente, urbanismo e ordenamento do território, apenas queria deixar as seguintes reflexões:


- numa fase em que as dependências casa/trabalho aumentaram distâncias
- numa fase em que a mobilidade para além de um direito é um fator de acesso a oportunidades de emprego e de inclusão social
- numa fase em que nunca foi tão oportuno como agora, a promoção da utilização do transporte público alterando o paradigma cultural atual e ambicionando um sistema de transportes com uma repartição modal mais equilibrada

Estaremos mesmo a trabalhar de uma forma institucionalmente integrada e centrada nas necessidades do cidadão?
Estaremos mesmo a dialogar em plataformas de stakeholders inclusivas (governo, reguladores, autoridades metropolitanas, autarquias locais, operadores de transportes, gestores de infraestruturas, comissões de utentes, comissões de trabalhadores, sindicatos e associações civicas e/ou outras ong’s)?
Estaremos mesmo a resolver os problemas à escala territorial apropriada, promovendo um desenvolvimento social, ambiental e economicamente sustentável?

08 março 2013

Projeto Centro de Artes da Fundação EDP em Debate público

O Projeto Centro de Artes da Fundação EDP está em Debate público. Só não se percebe porque é que o período dura menos de duas semanas... 

 Mais informação aqui



Fotomontagem do projeto


07 março 2013

Sem turbulência


Uma bela aproximação e aterragem em Lisboa!
Tranquila, sem turbulência, límpida.
Oxalá fosse sempre assim. 

DEBATE Niemeyer, Brasília e a cidade moderna


O nome de Óscar Niemeyer, recentemente desaparecido, é universalmente reconhecido como figura incontornável da arquitectura moderna. Esse reconhecimento deve-se sobretudo às obras projectadas para a cidade de Brasília no final da década de 1950. Brasília, por sua vez, pode ser considerada como o mais amplo e completo exemplo concretizado dos princípios funcionalistas do urbanismo e da arquitectura modernos, tal como foram estabelecidos pelos Congrès Internationaux d’Architecture Moderne (CIAM) nos anos 1920/30 e fixados na chamada «Carta de Atenas» (1933) por Le Corbusier.

Em conjunto, a obra e o percurso de Niemeyer, o plano e a construção de Brasília e os princípios do urbanismo e arquitectura modernos, podem de certo modo ser vistos como diferentes níveis de análise sobre o complexo papel social e político da teoria e prática arquitectónica moderna na história do século XX: as suas contradições e aporias, convergências e divergências, apologias e críticas. Se por um lado o movimento moderno tentou apresentar-se a maioria das vezes como um projecto exclusivamente técnico, por outro lado, sempre procurou fundamentar-se na ideia de uma transformação social total através da simples construção de novas formas urbanas e arquitectónicas, onde o exercício de arquitectura aparece como um exercício de «engenharia social». Ao mesmo tempo que se apresenta como um projecto apolítico e um «estilo internacional», vê-se progressivamente a participar na consolidação e auto-representação de diversos Estados-nação através de projectos-símbolo de modernização social. Se começa por ser uma síntese progressista entre as vanguardas artísticas e os avanços técnico-industriais da Europa Ocidental entreguerras, será apenas a partir da destruição da Segunda Guerra Mundial que terá oportunidade de execução prática e será nas fases de modernização atrasada dos países de passado colonial das décadas de 1950 e 1960 que realizará os projectos mais ambiciosos (Brasília, Chandigarh, Islamabad, etc).

No urbanismo e na arquitectura modernistas, e naturalmente também em Niemeyer e Brasília, cruzam-se assim de forma ambígua diversos temas do pensamento social, político e cultural moderno (utopia e ideologia, capitalismo e socialismo, revolução e reformismo, poder e dinheiro, política e arte, etc.), cruzamentos que observados retrospectivamente revelam problemáticas fundamentais, porventura ainda hoje longe de terem sido verdadeiramente ultrapassadas.

Mais do que uma evocação de Niemeyer ou uma discussão sobre o exemplo concreto de Brasília, a Unipop e a revista Imprópria propõem um debate que, partindo daí, aborde esses diversos cruzamentos sob a perspectiva da cidade moderna.

06 março 2013

Nos Anjos, reparam-se bicicletas



 A Cicloficina dos Anjos celebra este mês o seu 2º aniversário. Durante este período, os seus voluntários dedicaram-se a colocar dezenas de bicicletas a circular na cidade, sendo que a maioria estava parada na arrecadação ou marquise se alguém.

Com o apoio de algumas lojas que para lá escoaram peças e pecinhas, e uma ajuda vinda do Programa de Apoio Local da Junta de Freguesia dos Anjos, a Cicloficina evoluiu, o que lhe permitiu adquirir melhores ferramentas, sendo hoje um espaço bastante bem equipado onde se pode fazer todo o tipo de reparação (gratuita) de uma bicicleta, desde remendar um furo a coisas bastante mais complexas. Para além disso, este tem sido um local de constante formação de mecânicos de bicicleta nesta cidade, que vão aprendendo informalmente a arte e o engenho.

05 março 2013

Oh tempo, volta para trás!



Para que serve uma praça em pavimento de lioz em frente ao Rio Tejo?
Esta pergunta em Portugal é de resposta simples: Parque de estacionamento.
Nas Agências Marítimas no Cais do Sodré, apesar de ter um Parque de Estacionamento subterrâneo cuja entrada se vê na última foto, a praça em lioz serve para estacionar ainda mais carros.
Será um revivalismo da Praça do Comércio na sua versão parque de estacionamento? 
Oh tempo, volta para trás!

04 março 2013

Os Grafitis da cidade

Os recentes posts da Rosa e do Duarte convocam o tema do grafitti e dos tags no espaço público.

Apesar de - como em tantas outras coisas - "cada caso ser um caso", em relação aos tags ("assinaturas") tenho bastante dificuldade em ter alguma simpatia, quer pelo conteúdo, quer pelo significado.

A apropriação do espaço público para ostentar com orgulho um nome próprio ou de uma crew, dizendo que se esteve ali, que aquela é a sua zona, etc. é mil vezes mais desinteressante do que escrever nas paredes de Benfica "o ar condicionado mata as pessoas".



Por outro lado, a cidade de Lisboa tem grandes murais de grafiti, fantásticas intervenções de stencil, obras de grande valor e energia artística, criativa, expressiva, etc.

Mas curiosamente, enquanto a estudante de erasmus alemã que vive em Lisboa há 1 semana já fez uma visita guiada pelos grafitis do Bairro Alto (organizada por uma cidadã estrangeira a viver em Lisboa), o senso comum, até daqueles que pensam a cidade e fazem a política da cidade, costuma catalogar o grafiti como parte de um problema urbano mais abrangente que é a "sujidade" ou a "poluição urbana".



Creio, no entanto, que esta contradição faz parte da vitalidade do próprio grafiti. A transgressão e o carácter clandestino e desafiador são parte integrante do movimento e é por isso que é um pouco patético o paternalismo dos programas autárquicos (normalmente dos partidos de esquerda), que defendem "como forma de resolver o problema" a instalação de painéis para os grafiteiros poderem pintar as suas coisas em espaços pré-determinados pela câmara (aliás, como fez este executivo na Calçada da Glória).

Exemplo de "grafiti legal", produzido com o apoio da CML. Aqui, para além da escala, claro, é o facto de ter sido feito na fachada de um prédio devoluto há vários anos, em pleno centro da cidade, que lhe dá a força que os insossos murais da Calçada da Glória não têm.

Evitando posições absolutas do tipo todo o grafiti é lixo/arte e deve ser des/respeitado, diria que, essencialmente, o grafiti, como todos os movimentos culturais e artísticos, deve ter o mínimo de constrangimentos impostos pelo Estado. Assim,  a recente notícia de que a Câmara Municipal se prepara para "abrir guerra aos grafitis" é preocupante.

Espero que os responsáveis camarários tenham a sensibilidade e o bom senso de saberem onde intervir.

O muro do Instituto Geográfico Português, por exemplo, onde a Rosa tirou aquela foto, é um impressionante trabalho colectivo, que levou muitos anos a consolidar, apesar de estar ainda em constante mutação.

Só as formas de planeamento informal de como se organiza e desenvolve aquele trabalho, mural a mural, grafiti a grafiti, dava um tratado... É um autêntico exilibris (underground) da cidade!

Será que o muro do IGP (para dar um exemplo mais dramático, mas há outros...) está ameaçado por um qualquer dirigente da Adminstração Pública concentrado em "limpar" a maior área possível, gastando o mínimo de dinheiro do orçamento camarário?