Mostrar mensagens com a etiqueta António Costa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta António Costa. Mostrar todas as mensagens

24 setembro 2014

Ambiente, para que te quero?

Sob o manto da implantação de uma Academia da Fundação Aga Kahn, a Câmara de Cascais pretendia aumentar a área urbanizada, à custa de áreas REN, RAN e solo de alto valor agrícola. A intenção foi travada face à contestação, que se materializou numa petição contra essa intensidade de urbanização (e aumento de redes viárias) pretendida a reboque de um projecto tão nobre. No entanto, há ainda vozes que dizem que o ambiente [neste caso o ordenamento do território e a necessidade de zonas com baixa densidade de construção e permeável] é um entrave ao desenvolvimento. 
O entrave é quando não existe planeamento a médio e longo prazo e se cai no populismo de obra feita rapidamente, sem atender ao que a natureza vem depois reclamar como seu. Não são sarjetas mal limpas a causa de inundações em Lisboa como se registou no dia 22 de setembro passado, ou das cheias que ocorreram há anos na Madeira. São obras de impermeabilização interminável, sem incluir medidas de retenção das águas.
Uma cidade não pode ser só estrada e edifícios.  
Uma cidade desenvolvida e madura tem que permitir construção, mas também zonas permeáveis, garantindo uma resposta adequada a eventos climáticos extremos, como chuvadas intensas num curto período de tempo (com tendência a intensificar, face aos cenários previstos pelas alterações climáticas).
A permeabilidade de zonas na cidade passam pela sua humanização, incluindo a promoção dos transportes mais suaves em detrimento do automóvel, mas também promovendo os espaços verdes.
Quando recebemos queixas de pessoas que pedem para substituir o espaço verde em frente a sua casa por lages de pedra, para que o lixo que as pessoas deitam pelas janelas seja facilmente lavado com água, ou quando nos pedem para cortar árvores só porque sim, porque já há muitas na freguesia e não são precisas tantas, sabemos que há um longo caminho a percorrer.
Mesmo assim, o preocupante é quando um ex-autarca de Lisboa atribui a culpa das inundações de dia 22 de setembro à falta de limpeza de sarjetas. É fácil apontar o dedo. O difícil é ter a ousadia de promover as transformações positivas que a cidade de Lisboa tem recebido nos últimos anos. Haja coragem política e visão do seu Presidente da Câmara e da sua equipa. 
O paradigma alterou-se e há quem continue a resistir. Mas o futuro tem que forçosamente de mudar, mesmo podendo não ser populista, mas pelo bem-estar a longo prazo de todos. Se não for por nós, a mudança será feita pela força da água, que leva tudo atrás.   

Leituras recomendadas:

06 junho 2014

Why mayors should rule the world... II

Pequena reflexão do dia (porque afinal de contas também tem a ver com Lisboa):

Quanto à recente euforia dos dias que passam...

Até à data não me pronunciei sobre quem apoio, se Costa ou Seguro, pois me parece tratar-se de uma espiral de argumentação algo redutora. A pressão quase doentia na declaração de apoio a uma ou outra figura é, em si mesma, uma não opção. 

Ainda que exista na disputa, um carácter avaliativo muito próprio, entristece-me verificar os conflitos que o confronto de lideranças gera. O espírito de liberdade de expressão que me motiva a contribuir e me fez aderir ao partido socialista, faz-me preferir a posição de quem analisa mais dedicadamente os conteúdos e contribui com propostas para os programas políticos.

Construtivamente falando, temos de reconhecer e respeitar o trabalho desenvolvido por Seguro e a sua equipa, assim como, não podemos ignorar o carisma, convicção e dedicação que António Costa tem apresentado em Lisboa com os que o acompanham de perto.

A simples circunstância de "ter de optar" por Seguro ou por Costa não é apenas redutora em si mesma, como demonstra precisamente a falta de visão que o próprio mediatismo encerra sobre o PS e o País. Sobretudo tendo em conta, os tempos difíceis, como os que atravessamos. 

Ora, reconhecidas que são as qualidades de António Costa, não seria de esperar que apresentasse uma proposta política para o PS e para o País? Essa sim, é necessariamente a verdadeira matriz que importa comparar, para além das características intrínsecas de cada líder.
A par das possíveis equipas de trabalho, não serão essas as variáveis chave a ter em conta, como um todo, para a mais consciente escolha entre projetos políticos? Não é o PS um partido plural onde a riqueza dos seus projetos também advém pela valorização do trabalho coletivo?
Não será reconhecidamente uma posição defensável a de querer valorizar o bom trabalho da liderança de Seguro, pelas dignas propostas com as quais se empenhou (em iniciativas como o Laboratório de Ideias e Propostas para Portugal) no PS?
Não será também sensato, ambicionar o reforço da liderança do PS, com as inegáveis qualidades de António Costa, para a construção de uma alternativa forte e consistente?
Não será esta fase, uma forma de reforçar as ideias do socialismo democrático de modo a responder ao mais violento ataque ao estado social, desde o 25 de abril de 74, que o atual governo tem encetado com as suas ideias "peregrinas", dos últimos anos? 
Este governo não mais tem feito senão desrespeitar os pensionistas e reformados, ignorar a capacidade de trabalho dos jovens, criar conflitos institucionais graves num estado de direito, desrespeitar as dignas condições de trabalho, não considerar estruturas sindicais e parceiros sociais em sede de concertação social, desperdiçar a criatividade que em muito nos faz falta para a resolução dos nossos problemas estruturais. 
Assim sendo, qual é a questão central afinal?

11 outubro 2013

Why mayors should rule the world...

Apurados os resultados autárquicos, em Lisboa, consagraram-se dois claros vencedores. Com forte expressão e distinta vantagem ganhou o partido da Abstenção que atingiu quase 280.000 votos*. Podemos tentar perceber quem são estes abstencionistas, mas parece-me que entre as diversas razões que justificam esta ordem de grandeza (quase 35.000 eleitores a mais que em 2009) - e que podem ir desde o comodismo, descrença, migração, descontentamento à desatualização de listagens - o mais importante (para além da mobilização para a participação e cidadania, não apenas nos atos eleitorais) é felicitar e centrar as atenções no segundo vencedor destas eleições, o Partido Socialista representado por António Costa e sua equipa.

Com pragmatismo, foquemo-nos nas propostas vencedoras, na sua coerência e respetiva concretização. Estão reunidas condições únicas e António Costa teve uma resposta positiva dos lisboetas à pretensão de governo maioritário na Câmara Municipal, Assembleia Municipal e praticamente em todas as Assembleias de Freguesia. Como é natural, terá também maior responsabilidade e os lisboetas esperam resultados.

Não quero deixar de refletir sobre a importância das propostas e a sua efetiva concretização. Em ultima instância, essa é uma das medidas que expressam a relação de confiança do eleitorado no presidente da câmara. Temos assim, nos próximos 4 anos um mandato cujo programa foi escrutinado (sugestão de leitura aqui e aqui) e se centra nos seguintes "5 grandes eixos de governo":

+ Lisboa mais próxima
+ Lisboa empreendedora
+ Lisboa inclusiva
+ Lisboa sustentável
+ Lisboa global

Mas será este programa apenas um conjunto de propostas circunscritas aos limites geográficos de Lisboa? O que representa afinal Lisboa? Até onde pode ir essa identidade e afirmação no território? Não terá Lisboa um desafio eminente de se afirmar como efetiva Cidade Região?

Apesar de não concordar inteiramente com Benjamim Barber na sua apresentação, deixo aqui a sua interessante reflexão de como os "mayors" são uma peça vital na relação de confiança com a população, e como o seu pragmatismo de ter de "pôr as coisas a funcionar" é fundamental, para o sucesso de ultrapassar os atuais desafios das cidades, os quais, geralmente dificilmente serão resolvidos pelos "Estados Opacos".



Esta questão de confiança e pragmatismo é tão pertinente quanto maior o tempo que decorre até vermos pequenas (grandes, digo eu) melhorias no nosso quotidiano. A resolução dos problemas sociais, económicos e ambientais, diretamente relacionáveis com a habitação, mobilidade e transportes, emprego e ambiente, têm agora um posicionamento socialista determinado, o qual, infelizmente continua a debater-se com restrições de competências, por exemplo, no plano da operação dos transportes públicos. Neste caso, e tendo em conta a nova lei quadro das entidades reguladoras, parecem-me evidentes as melhorias decorrentes de uma maior representatividade institucional dos municipios, na gestão e operação de transportes cuja área de influencia os afete diretamente.

Haja esperança, que o caminho é longo e necessita de muita dedicação...
  

* Fonte: autarquicas 2013

18 setembro 2013

Crowdfunding de António Costa por Lisboa: video de apelo ao voto!

Na sequência da iniciativa já referida em: Crowdfunding de António Costa por Lisboa, surge agora o vídeo de apelo ao voto, sobretudo, dirigido às gerações mais jovens.


Revisitando os resultados eleitorais das eleições autárquicas de 2009, 2005 e 2001, será interessante comparar os dados da abstenção no concelho de Lisboa com o distrito de Lisboa. 
O concelho de Lisboa apresenta uma percentagem de abstenção mais baixa, com excepção em 2005,  do que a que se obteve tendo em conta os concelhos do distrito (46,42% face a 47,84% em 2009). Num contexto de perda de eleitores em Lisboa desde 2001, as abstenções têm também diminuído nos diversos momentos, pese embora o nível de abstenção relativo em 2009, ainda ser superior ao de 2001.


Fonte: Baseado nos dados disponíveis em CNE

Neste sentido não deixa de ser fundamental o apelo ao voto, e sobretudo, compreendendo os vários motivos que podem justificar a abstenção, colocar em pratica diversas estratégias de apelo à participação, convidando as pessoas ao escrutínio democrático de quem se apresenta a eleições. 
Tal como noutras dimensões de participação que a abstenção não revela diretamente (trabalho continuo em movimentos de cidadãos ou partidos políticos), as eleições representam uma das formas de praticarmos o nosso dever de cidadania, assim como, de honrarmos os valores que Abril conquistou.

Fica assim o apelo. Vote, participe!

24 junho 2013

Crowdfunding de António Costa por Lisboa

Sem revisitar a memória histórica de outras campanhas portuguesas, parece-me tratar-se da primeira vez que um politico desenvolve uma iniciativa de crowdfunding em Portugal...
Pelos seus objectivos e pelo espírito colaborativo que promove, trata-se de uma iniciativa que marca a agenda e merece divulgação! 
É um exemplo muito nobre de que é possível servir Lisboa contrariando a crise atual e promovendo uma maior participação de todos os cidadãos.

Fica o video de António Costa: Juntos por Lisboa


"Queremos promover a cidadania jovem, apelando à participação de todos na construção do futuro da cidade, na definição das suas prioridades e na seleção dos projetos que consigam incentivar as empresas na criação de emprego. Isso só é possível se, no dia 29 de Setembro, os jovens decidirem ser parte integrante da vida das suas freguesias, da sua cidade, do destino da sua Lisboa, participando na tomada de decisão do que consideram dever ser a "vida" de Lisboa e dos lisboetas.

Com a realização de um vídeo em que procuramos dar voz aos jovens lisboetas, em vários pontos da cidade, queremos reforçar a participação nas eleições autárquicas de Setembro. Queremos com este vídeo fazer com que se compreenda a importância do voto, a diferença que pode fazer não deixarmos por mãos alheias a decisão do nosso futuro e dos projetos e opções que afetam diariamente a nossa vida."


Ainda que em Portugal não vejamos iniciativas como esta, a comparação é inevitável, porque esta é uma ideia que tem paralelo "profissionalizado" nos EUA e que Obama promove, a uma escala inimaginável! Se calhar valerá a pena partilhar também os links abaixo...

Doing a crowdfunding campaign? Learn from Obama.

A Framework for Political Crowdfunding: Lessons From President Obama