A iniciativa de abate de veículos surgiu por razões ambientais: pagar para que as pessoas trocassem o veículo velho por outro novo. Se a pessoa quisesse passar a usar os transportes públicos, a bicicleta ou ir a pé, comportamento bem mais interessante do que ter um novo carro, não tinha qualquer benefício.
A defesa de tal iniciativa prendia-se com o facto de os carros mais recentes serem dotados de tecnologias que permitiriam redução de emissões e de consumo de combustível.
Mas afinal, faltava considerar um factor (muito) relevante: as tecnologias não têm evoluído assim tanto para a sustentabilidade; apenas as que mascaram as emissões reais e a facilidade na manipulação de testes. O escândalo da VW veio evidenciar que eram "apenas" 11 milhões de veículos do grupo VW em todo o mundo. Mas o estudo "Mind the Gap", da autoria da European Federation for Transport and Environment, entidade que trabalha com a Comissão Europeia, divulgou ontem que a VW é apenas a ponta do iceberg, e que a Mercedes, BMW e Peugeot também distorcem dados. A diferença entre os resultados dos testes anti-emissões de dióxido de carbono de automóveis e o desempenho real passou de 8% em 2001 para 40% em 2014.
Este embate vem desacreditar por completo toda a indústria automóvel que insiste em não querer caminhar para a sustentabilidade, com prejuízos para o ambiente e para a saúde pública.
Esta semana soube-se também que as acções do Grupo VW (que engloba as marcas Volkswagen, Audi, Skoda, Seat e Porsche) vão ser retiradas dos índices de empresas sustentáveis do Dow Jones já a partir de 5 de Outubro.
Talvez isto seja a oportunidade para acelerar a conversão para veículos eléctricos e uma aposta franca na mobilidade suave.
De qualquer das formas, nos próximos meses vou ensinar os meus filhos a andar de bicicleta sem rodas, para podermos deixar mais vezes o carro em casa e ir juntos até à escola de bicicleta.
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29 setembro 2015
01 dezembro 2014
Uma 2ª Geração de medidas para acabar com o marasmo
Duas das propostas às quais foram atribuídas verbas no âmbito do processo do Orçamento Participativo deste ano, foram da autoria de Rosa Félix, co-autra deste blog adormecido no éter da WWW.
São 2 propostas que se complementam.
São 2 propostas que se complementam.
Criar ligações cicláveis entre o eixo Av. Almirante Reis/Av. Guerra Junqueiro/Av. Roma e o eixo Av. da República/Av. Fontes Pereira de Melo/Av. da Liberdade, através da implementação de medidas de acalmia e de sinalética que promovam velocidades de circulação de tráfego abaixo de 30Km/h e lembre a partilha de espaço com bicicletas
e
São propostas importantes que esperamos ver implementadas em breve e não irem parar à gaveta dos projectos que venceram o Orçamento Participativo mas que nunca foram implementados...
Talvez não. São tudo projectos obvios e fáceis de executar.
Começando pelo mais evidente: a Av. de Roma, com as suas 3 faixas para cada lado tem espaço que chegue para mesmo os fanáticos do pópó não se incomodarem sequer com os habituais protestos.
O caso da Guerra Junqueiro é mais complexo, porque o nosso código da estrada não permite - ao contrário do que acontece em muitas cidades europeias - que as bicicletas circulem em sentido contrário ao dos automóveis.
Uma boa solução pode ser abandonar o estacionamento em espinha naquela artéria (pelo menos num dos lados), colocando-o paralelo ao passeio e libertando espaço para uma ciclovia bi-direccional... Ao mesmo tempo diminuia-se assim a presença automóvel naquela Avenida, que tem tanta vida, e que desta forma pode vir a tornar-se das mais agradáveis de Lisboa.
Finalmente, o caso da Almirante Reis, poderia passar pela implementação de uma faixa BUS em toda a Avenida em que pudessem circular os transportes públicos com mais velocidade e as bicicletas.
Se formos a ver bem não seria nada de muito extraordinário: Hoje em dia, os estacionamentos em 2ª fila quase que trasformaram aquela avenida numa artéria de 1 faixa para cada lado.
Creio que os logistas, incentivados por uma maior fiscalização, adaptar-se-iam rapidamente a fazer as cargas e descargas fora das horas de fluxo de transportes públicos (ocupando as faixas BUS) e os automobilistas em geral também saberiam encontrar alternativas... (por exemplo: não faz sentido que seja mais rápido ir da Alameda à Sé pelo coração da cidade, pela Almirante Reis, Praça da Figueira e subir pelo centro historico, do que pelos túneis das Olaias que eram supostamente as "auto-estradas da cidade".
Esta última reforma, ao contrário das outras propostas de banal implementação, seria de facto uma importante e estrutural marca na cidade.
Seria dar início a uma 2ª geração de medidas para se diminuir a carga automóvel em Lisboa e assim melhorar a qualidade de vida de quem cá mora... "2ª geração de medidas" essas que se estão a tornar cada vez mais urgentes para acabarmos de vez (outra vez) com o marasmo e voltarmos a sentir novamente aquele entusiasmo que houve há uns anos quando se inauguraram as primeiras ciclovias, limitou-se o transito no em importantes zonas da cidade como o Terreiro do Paço, Marquês de Pombal ou Duque de Loulé.
Criar condições para a mobilidade ciclável no eixo Av. Almirante Reis/Av. Guerra Junqueiro/Av. Roma. Esta proposta implica:
a) a criação de um espaço canal próprio para bicicletas na Av. Almirante Reis (ou em faixas Bus onde não for possível); b) a criação de condições para a circulação de bicicletas em ambos os sentidos na Av. Guerra Junqueiro, e c) a criação de um percurso ciclável na Av. de Roma
São propostas importantes que esperamos ver implementadas em breve e não irem parar à gaveta dos projectos que venceram o Orçamento Participativo mas que nunca foram implementados...
Talvez não. São tudo projectos obvios e fáceis de executar.
Começando pelo mais evidente: a Av. de Roma, com as suas 3 faixas para cada lado tem espaço que chegue para mesmo os fanáticos do pópó não se incomodarem sequer com os habituais protestos.
O caso da Guerra Junqueiro é mais complexo, porque o nosso código da estrada não permite - ao contrário do que acontece em muitas cidades europeias - que as bicicletas circulem em sentido contrário ao dos automóveis.
Uma boa solução pode ser abandonar o estacionamento em espinha naquela artéria (pelo menos num dos lados), colocando-o paralelo ao passeio e libertando espaço para uma ciclovia bi-direccional... Ao mesmo tempo diminuia-se assim a presença automóvel naquela Avenida, que tem tanta vida, e que desta forma pode vir a tornar-se das mais agradáveis de Lisboa.
Finalmente, o caso da Almirante Reis, poderia passar pela implementação de uma faixa BUS em toda a Avenida em que pudessem circular os transportes públicos com mais velocidade e as bicicletas.
Se formos a ver bem não seria nada de muito extraordinário: Hoje em dia, os estacionamentos em 2ª fila quase que trasformaram aquela avenida numa artéria de 1 faixa para cada lado.
Creio que os logistas, incentivados por uma maior fiscalização, adaptar-se-iam rapidamente a fazer as cargas e descargas fora das horas de fluxo de transportes públicos (ocupando as faixas BUS) e os automobilistas em geral também saberiam encontrar alternativas... (por exemplo: não faz sentido que seja mais rápido ir da Alameda à Sé pelo coração da cidade, pela Almirante Reis, Praça da Figueira e subir pelo centro historico, do que pelos túneis das Olaias que eram supostamente as "auto-estradas da cidade".
Esta última reforma, ao contrário das outras propostas de banal implementação, seria de facto uma importante e estrutural marca na cidade.
Seria dar início a uma 2ª geração de medidas para se diminuir a carga automóvel em Lisboa e assim melhorar a qualidade de vida de quem cá mora... "2ª geração de medidas" essas que se estão a tornar cada vez mais urgentes para acabarmos de vez (outra vez) com o marasmo e voltarmos a sentir novamente aquele entusiasmo que houve há uns anos quando se inauguraram as primeiras ciclovias, limitou-se o transito no em importantes zonas da cidade como o Terreiro do Paço, Marquês de Pombal ou Duque de Loulé.
Foto de um passado que já parece ter sido há muitos, muitos anos atrás...
18 outubro 2013
21 setembro 2013
Movimento sexy!
Mais uma vez a envolvente da Avenida Guerra Junqueiro está a mobilizar-se na dinamização do seu comércio local, tentando assim lutar contra as quebras acentuadas da sua procura.
Assim se descreve a iniciativa do Movimento Certo:
"Durante dois dias, o comércio e as pessoas vão tomar conta da rua por todo o bairro e estar no lugar dos carros em 3 vias: na Av. Guerra Junqueiro, na Rua Presidente Wilson e na Rua Edison, onde o trânsito será encerrado e as vias, onde todos os dias circulam carros, ocupadas com múltiplas iniciativas: Conferências, Exposições de Fotografias, Aulas de Ginástica, aulas do Método de Rose, Contos Tradicionais para Toda a Família, passeios de bicicleta, concertos de música, passeios de segways, um Mercado de Flores, um Mercado Biológico, uma Venda da Garagem, um grande Jantar – Street Dinner – na Av. Guerra Junqueiro, que culminará com um Baile no meio da via. Para esse jantar, as pessoas deverão levar roupa branca e comprarão um kit de comida nos estabelecimentos de restauração e bebidas da zona, preparado por cada um deles com os seus produtos e depois degustado numa grande mesa comunitária que será instalada ao longo da Av. Guerra Junqueiro, no meio da via, diariamente ocupada por carros.O estacionamento de moradores e dos muitos visitantes previstos será assegurado pelos 3 parques de estacionamento da zona e artérias circundantes que não terão qualquer condicionamento. Naturalmente, que estarão previstos canais de segurança e de emergência nas 3 vias que estarão encerradas.Para além desta programação, os comerciantes estão a preparar para esses dois dias muitas iniciativas para todo o bairro, desde a abertura dos estabelecimentos até às 24 horas, a decoração de manequins no exterior, a apresentação de colecções de roupa na rua, a venda de livros, doces e flores na rua, uma Ice Cream Party, o prolongamento das esplanadas para as vias, intervenções de rua, passeios de burro, massagens, aulas de inglês, e ainda, a inauguração do primeiro bairro WI FI de Lisboa.O nosso Movimento de Comerciantes tem procurado contribuir desde há 4 meses para a dinamização e revitalização do comércio de rua, ajudando a melhorar as condições para as compras em família, promovendo o comércio ao ar livre, num espaço público aprazível, seguro, com fácil estacionamento, boa arquitectura e com uma oferta diversificada e de qualidade em que a Cultura é um elemento sempre presente. Os princípios subjacentes à Semana da Mobilidade são partilhados pelo nosso Movimento constituindo um incentivo perfeito para na prática os tentarmos aplicar na melhoria efectiva do comércio e da qualidade de vida das pessoas.Todo este nosso evento foi preparado pelos comerciantes e todos os participantes intervêm gratuitamente. Quisemos envolver toda a comunidade do bairro (comerciantes, moradores e instituições) e preferimos não estar integrados nas programações da Semana da Mobilidade das entidades Oficiais. Quisemos mostrar que um movimento de comerciantes, de cidadãos de Lisboa, totalmente apartidário e descomprometido, consegue fazer algo pelo comércio da sua cidade, através da colaboração, inter-ajuda e criatividade.É isso que nos move."
Ficam algumas fotos de um pequeno passeio de bicicleta (de ontem) que ilustra a adesão ao evento, e como, com pequenos exemplos de alteração de hábitos se pode fazer a diferença na utilização do espaço público e consequentemente dar vida às ruas da cidade.
Mais do que "movimento certo", este é um Movimento Sexy!
23 julho 2013
De bicicleta eu vou!
Sabia que cerca de 50% dos trajectos em meio urbano com recurso automóvel são inferiores a 5 km? (Fonte: Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta)
Poderão grande parte desses trajectos ser substituídos pelo uso de transportes públicos ou até mesmo de bicicleta?
Para quem inicia uma nova rotina com um outro tipo de transporte, terá provavelmente que estudar novos percursos.
Se optar pela bicicleta e se ainda não reparou, para além da estrada já conhecida dos automobilistas, há uma extensa rede ciclável pela cidade.
De facto, são cada vez mais os utilizadores destas pistas para lazer mas também nas deslocações casa-trabalho, com múltiplas vantagens individuais e para a cidade. Alia-se o exercício físico com mais oportunidades de descobrir a sua Lisboa, reduzindo o tráfego automóvel e por isso melhorando a qualidade do ar, a médio e longo prazo.
No âmbito da Semana Europeia da Mobilidade, Lisboa E-Nova volta a apostar n' "Um dia a pedalar". E porque não?
Aqui está uma óptima oportunidade das empresas incentivarem os seus trabalhadores a experimentarem as ciclovias da cidade.
Se é empregador(a), informe-se sobre esta iniciativa e como poderá inscrever a sua empresa na página da Lisboa E-Nova.
Se está empregado e pretende aderir a esta iniciativa, fale com a sua empresa para aderir e planeie o seu trajecto no dia 20 de Setembro.
Recomendo o uso da ferramenta http://lxi.cm-lisboa.pt/lxi/, onde pode visualizar as ciclovias a usar no seu trajecto casa-trabalho (módulo "Temática" -> ciclovias) e a distância a percorrer.
A velocidade média de bicicleta em cidade anda pelos 14km/h, dependendo dos percursos de subida, em contraposição dos 5 km/h do peão.
Será que ganha tempo se for de bicicleta para o trabalho?
Experimente! Em grande parte dos casos, verá que os resultados são espantosos!
Poderão grande parte desses trajectos ser substituídos pelo uso de transportes públicos ou até mesmo de bicicleta?
Para quem inicia uma nova rotina com um outro tipo de transporte, terá provavelmente que estudar novos percursos.
Se optar pela bicicleta e se ainda não reparou, para além da estrada já conhecida dos automobilistas, há uma extensa rede ciclável pela cidade.
De facto, são cada vez mais os utilizadores destas pistas para lazer mas também nas deslocações casa-trabalho, com múltiplas vantagens individuais e para a cidade. Alia-se o exercício físico com mais oportunidades de descobrir a sua Lisboa, reduzindo o tráfego automóvel e por isso melhorando a qualidade do ar, a médio e longo prazo.
No âmbito da Semana Europeia da Mobilidade, Lisboa E-Nova volta a apostar n' "Um dia a pedalar". E porque não?
Aqui está uma óptima oportunidade das empresas incentivarem os seus trabalhadores a experimentarem as ciclovias da cidade.
Se é empregador(a), informe-se sobre esta iniciativa e como poderá inscrever a sua empresa na página da Lisboa E-Nova.
Se está empregado e pretende aderir a esta iniciativa, fale com a sua empresa para aderir e planeie o seu trajecto no dia 20 de Setembro.
Recomendo o uso da ferramenta http://lxi.cm-lisboa.pt/lxi/, onde pode visualizar as ciclovias a usar no seu trajecto casa-trabalho (módulo "Temática" -> ciclovias) e a distância a percorrer.
A velocidade média de bicicleta em cidade anda pelos 14km/h, dependendo dos percursos de subida, em contraposição dos 5 km/h do peão.
Será que ganha tempo se for de bicicleta para o trabalho?
Experimente! Em grande parte dos casos, verá que os resultados são espantosos!
20 julho 2013
«A Cidade de Bicicleta»
Vale a pena ler a entrevista de Duarte Mata (que entre outras coisas é co-autor deste blog) ao Jornal Pedal, por Tiago Carvalho.
Aqui, on line nas páginas 14 e 15.
Aqui, on line nas páginas 14 e 15.
27 junho 2013
Lisbon goes for Boris!
O The Guardian avança com a noticia de que a opção pela bicicleta já representa 24% dos veículos na hora de ponta em Londres!
Seria este cenário expectável há uns anos atrás? O que se fez então para alterar o padrão de mobilidade das pessoas em Londres?
Estamos obviamente a falar de uma política de mobilidade que foi convictamente traçada em vários domínios, de uma forma transversal, pensando numa base sistémica de transportes.
Existe um sistema de financiamento do serviço de transportes e, o serviço prestado não fica assim refém, de resultados operacionais deficitários nalguns percursos. Só assim é possível corresponder às necessidades da população, planeando um serviço a uma escala próxima das necessidades de deslocação, muitas vezes intermodal.
Em paralelo desenvolveu-se um sistema partilhado de bicicletas (como em muitas outras cidades), por concessão a uma entidade bancária, que dá corpo à possibilidade de utilização em circuitos combinados com outros modos de transporte.
Um bem haja ao Mayor de Londres pelo trabalho politico feito até à data nesta área.
Ficam as sugestões de leitura:
Em Lisboa, também se tem começado a trilhar um caminho importante na integração dos vários modos de transportes, mas com várias condicionantes políticas e institucionais que impedem uma maior celeridade dos resultados práticos (refiro-me à participação directa dos municípios na gestão dos serviços de transportes). Os diferentes níveis de dependência tutelar da gestão das infraestruturas e serviços de transportes (nível municipal e metropolitano), têm proporcionado conflitos de interesse que em nada beneficiam os utentes dos transportes.
Voltando à referência inicial do post, no que diz respeito à opção modal da bicicleta em deslocações urbanas, verifica-se um aumento da sua representatividade (principalmente no município de Lisboa), ao qual não são alheias algumas opções politicas que os executivo têm adotado. Ainda assim há muito trabalho a fazer, e alguns erros a corrigir.
PS: Aproveito ainda para sugerir a participação na Massa Critica (site + facebook) que decorrerá amanhã seguida de uma festa da Cicloficina: GRANDE FESTA Cicloficina dos Anjos
PS: Aproveito ainda para sugerir a participação na Massa Critica (site + facebook) que decorrerá amanhã seguida de uma festa da Cicloficina: GRANDE FESTA Cicloficina dos Anjos
29 maio 2013
Daqui Acolá - Mobilidade em Lisboa
Dois dos oradores convidados são também colaboradores neste blogue :)
Com: Rosa Félix, Paulo Cambra, Matteo Sarnà e Duarte de Araújo Mata.
Moderação: Tiago Carvalho
Daqui Acolá será um debate sobre outras mobilidades possíveis na cidade de Lisboa. Com a popularização da bicicleta, têm surgido diversos colectivos que praticam a sua apologia activa; a consciencialização dos malefícios da dependência automóvel expandiu-se, até incluir também a defesa do direito à acessibilidade pedonal; são assim várias as maneiras de perspectivar quais as políticas correctas para a mobilidade suave.
Com o trânsito automóvel fechado, o corredor do Regueirão dos Anjos ganha vida. O que antes era um túnel pode ser uma baliza…uma parede sem reboco pode ser o coito de umas escondidas…e o chão torna-se bom para desenhar uma macaca ou correr à apanhada. O Regueirão será finalmente ocupado com jogos e pessoas.
Com: Rosa Félix, Paulo Cambra, Matteo Sarnà e Duarte de Araújo Mata.
Moderação: Tiago Carvalho
30 abril 2013
«Há espaço para todas»
Infelizmente é raro um ciclista, em Lisboa, não ouvir bocas ou ser agredido com uma buzinadela por "andar no meio da estrada". As razias nas ultrapassagens também são uma constante. São extremamente perigosas e é pena que o anuncio não foque esse ponto em particular... Mas a minha apreciação global deste anuncio institucional (que não passa em horário nobre, portanto) é bastante positiva.
A par do investimento em infraestruturas que a CML tem feito (ciclovias, estacionamentos), o investimento na mudança de mentalidades e na educação são igualmente importantes.
11 abril 2013
Uma Santanada
Fazem falta tantos mais investimentos em mobilidade ciclável na cidade e isso é tão importante para termos uma cidade mais humanizada, despoluída, com mais gente, em que apeteça viver, que me custa atacar um projecto camarário nessa área... mas num contexto de constrangimentos financeiros, isto, mais que um tiro ao lado, roça a "Santanada".
Conheço bem o discurso das bicicletas eléctricas. É complementar ao das colinas e ao da falta de duches nos locais de destino...
Caricaturando um pouco, diria que a ideia vem sobretudo daquele pessoal que vive a contradição entre um discurso e uma percepção de que a cidade não aguenta com mais carros, e um sentimento pessoal de que sem carro não se consegue pura e simplesmente ter uma vida normal.
Imagino Nunes da Silva assim. A pensar para os seus botões «Se eu fosse Vereador em Amesterdão ou em Paris, andaria de bicicleta para todo o lado... As pessoas ver-me-iam a passar de bicicleta com o meu cachimbo e diriam "Lá vai o Professor de bicicleta"... Agora cá em Lisboa é impossível... Só se fosse com uma bicicleta eléctrica!».
O resultado só pode ser mau.
Para além do dinheiro mal gasto - os custos associados a este tipo de bicicletas e respectiva manutenção superam em larga escala o custo e manutenção de bicicletas convencionais - num serviço sem utilidade pública e que vai competir com serviços semelhantes, prestados aos turistas, por pequenas empresas e empreendedores privados da cidade; o problema mais grave, do meu ponto de vista, na linha em que já apontou o Miguel, é que desacredita as enormes virtuosidades do projecto inicial, retirando margem de manobra política para a sua implementação num futuro que se quer mais próximo possível.
É preciso que isto seja dito claramente: Na verdade, o sistema que vai ser agora implementado, não é um verdadeiro sistema de bicicletas de uso partilhado. É um pequeno negócio de aluguer de bicicletas eclécticas a turistas, concebido, ainda para mais, por alguém que tem preconceitos em relação à bicicleta como modo de deslocação dentro da cidade.
É também lamentável que se envolva a EMEL neste projecto. Coloquem ao menos a Associação de Turismo de Lisboa a tratar disto... Terá a EMEL quadros a mais sem missões para cumprir? Terá a EMEL excesso de fundos e nenhum investimento a fazer na sua área de acção?
É que são caprichos deste género que levam às vezes empresas públicas (como a EMEL), perfeitamente saudáveis e funcionais, a desarticularem-se e a terem resultados negativos. Depois levantam-se as habituais vozes pela concessão e privatização a privados... Mas isso é outro tema, para outro post...
Conheço bem o discurso das bicicletas eléctricas. É complementar ao das colinas e ao da falta de duches nos locais de destino...
Caricaturando um pouco, diria que a ideia vem sobretudo daquele pessoal que vive a contradição entre um discurso e uma percepção de que a cidade não aguenta com mais carros, e um sentimento pessoal de que sem carro não se consegue pura e simplesmente ter uma vida normal.
Imagino Nunes da Silva assim. A pensar para os seus botões «Se eu fosse Vereador em Amesterdão ou em Paris, andaria de bicicleta para todo o lado... As pessoas ver-me-iam a passar de bicicleta com o meu cachimbo e diriam "Lá vai o Professor de bicicleta"... Agora cá em Lisboa é impossível... Só se fosse com uma bicicleta eléctrica!».
O resultado só pode ser mau.
Para além do dinheiro mal gasto - os custos associados a este tipo de bicicletas e respectiva manutenção superam em larga escala o custo e manutenção de bicicletas convencionais - num serviço sem utilidade pública e que vai competir com serviços semelhantes, prestados aos turistas, por pequenas empresas e empreendedores privados da cidade; o problema mais grave, do meu ponto de vista, na linha em que já apontou o Miguel, é que desacredita as enormes virtuosidades do projecto inicial, retirando margem de manobra política para a sua implementação num futuro que se quer mais próximo possível.
É preciso que isto seja dito claramente: Na verdade, o sistema que vai ser agora implementado, não é um verdadeiro sistema de bicicletas de uso partilhado. É um pequeno negócio de aluguer de bicicletas eclécticas a turistas, concebido, ainda para mais, por alguém que tem preconceitos em relação à bicicleta como modo de deslocação dentro da cidade.
É também lamentável que se envolva a EMEL neste projecto. Coloquem ao menos a Associação de Turismo de Lisboa a tratar disto... Terá a EMEL quadros a mais sem missões para cumprir? Terá a EMEL excesso de fundos e nenhum investimento a fazer na sua área de acção?
É que são caprichos deste género que levam às vezes empresas públicas (como a EMEL), perfeitamente saudáveis e funcionais, a desarticularem-se e a terem resultados negativos. Depois levantam-se as habituais vozes pela concessão e privatização a privados... Mas isso é outro tema, para outro post...
29 março 2013
Lisboa esvaziada
Tal como em pleno Agosto, nas férias da Páscoa ou nos feriados, Lisboa fica uma cidade muito mais apetecível para circular a pé ou de bicicleta. O "trânsito" desaparece para outras bandas...
Todas as últimas sextas-feiras do mês, a Massa Crítica de Lisboa acontece. Para lá de qualquer motivação pessoal de cada participante que se junta ao movimento, este encontro tem como um dos objectivos chamar a atenção dos automobilistas que Lisboa até é uma cidade onde é possível circular de bicicleta.
Nem por acaso, hoje também se realiza o 2º aniversário da Cicloficina dos Anjos, que após cerca de 100 semanas de funcionamento voluntário, irá fazer uma festa de celebração e convívio para a comunidade ciclista com comes, bebes e música.
06 março 2013
Nos Anjos, reparam-se bicicletas
A Cicloficina dos Anjos celebra este mês o seu 2º aniversário. Durante este período, os seus voluntários dedicaram-se a colocar dezenas de bicicletas a circular na cidade, sendo que a maioria estava parada na arrecadação ou marquise se alguém.
Com o apoio de algumas lojas que para lá escoaram peças e pecinhas, e uma ajuda vinda do Programa de Apoio Local da Junta de Freguesia dos Anjos, a Cicloficina evoluiu, o que lhe permitiu adquirir melhores ferramentas, sendo hoje um espaço bastante bem equipado onde se pode fazer todo o tipo de reparação (gratuita) de uma bicicleta, desde remendar um furo a coisas bastante mais complexas. Para além disso, este tem sido um local de constante formação de mecânicos de bicicleta nesta cidade, que vão aprendendo informalmente a arte e o engenho.
06 janeiro 2013
Crescimento da utilização da bicicleta em Lisboa
Quantos somos? Quem somos? São questões que já não sabemos responder. Enquanto os resultados dos Censos sobre o número de pessoas que utilizam a bicicleta nas suas deslocações tardam em chegar e a curiosidade aumenta, o facto é que somos cada vez mais.
Há seis anos, quando comecei a andar de bicicleta em Lisboa nas minhas deslocações, raras eram as vezes que me cruzava com outro ciclista. Quando tal acontecia, era inevitável uma troca de palavras: saber para onde ia, de onde vinha, se costumava andar de bicicleta ali pela estrada; ou se íamos em sentidos contrários: um “dling-dling” acompanhado de um sorriso. Conhecíamo-nos todos, pelo menos de vista. Nessa altura, e acompanhado da inauguração de mais troços de ciclovias, assistia-se a um “mini-boom” de bicicletas na cidade de Lisboa. Digo mini porque ainda assim não éramos muitos… mas notava-se que o número estava a aumentar.
A Bicicletada (também conhecida por Massa Crítica) começava a crescer, e a barreira dos quinze participantes mensais era ultrapassada. O passa-palavra entre amigos e colegas no local de trabalho ou faculdade foi talvez um dos mais importantes factores que impulsionou que houvesse mais bicicletas na cidade.
No Verão de 2009, mais bicicletas. Todos os programas políticos para as eleições autárquicas dessa altura não deixavam passar ao lado medidas de incentivo à utilização da bicicleta, o que era um bom indicador da sensibilidade para as questões da mobilidade em bicicleta. A rede ciclável tinha mais 40km de ciclovias, e foram criados mais 750 lugares de estacionamento para bicicletas, espalhados pela cidade.
Em Setembro do mesmo ano, no sexto aniversário da Massa Crítica, 180 pessoas encheram as ruas, muito felizes com a quantidade de pessoas que tinham aderido. Era uma questão de ’rezar’ para que estes não fossem apenas ciclistas de eventos ou de fim-de-semana, e passassem a ir para os seus trabalhos ou escola com este modo de transporte, dando-lhe mais visibilidade nas filas de automóveis parados no trânsito, que se ultrapassavam com boa disposição.
Em 2010, esse número passou para 250, e em 2011 para 450. Ultimamente, mesmo nos meses mais frios, a fasquia não tem descido abaixo dos 150 participantes – dez vezes mais do que nos seus primeiros anos.
Várias iniciativas contribuíram para um crescimento de utilizadores de bicicleta nos últimos tempos. As Bicicletadas passaram a existir em mais cidades e as Cicloficinas a serem mais frequentes. A MUBi foi criada de modo a dar uma certa formalidade às questões que vinham sendo discutidas informalmente em mailing-lists. Os transportes públicos começaram a dar resposta ao transporte de bicicletas. Começam a aparecer algumas lojas dedicadas a bicicletas urbanas, a par de novas publicações – quem se lembra d’A Jingla?
A Câmara Municipal de Lisboa também foi acompanhando esta nova tendência: o sistema de bicicletas de uso partilhado começou a ser pensado, mesmo ainda antes de surgirem noutras cidades europeias. Passaremos a ter um boom a sério quando este sistema for finalmente implementado, tal como aconteceu em Paris ou em Londres.
Hoje em dia, é quase inevitável o cruzamento com quatro ou cinco ciclistas num trajecto urbano. As caras já não são fáceis de fixar, como outrora. Desde 2009, o crescimento tem sido exponencial. Um inquérito feito recentemente a mais de mil pessoas mostrou que metade só começou a andar de bicicleta em Lisboa nos últimos três anos. Dados da PSP do Comando Metropolitano de Lisboa também indicam que o número de furtos (registados) de bicicletas mais do que duplicou entre 2007 e 2011, o que apesar de ser um mau sinal, é um bom sinal.
Basta olhar para a cidade para constatar esse aumento. Vêm-se pessoas com bicicletas cruzamento sim, cruzamento não, vêm-se bicicletas amarradas a postes rua sim, rua não. Na rua vemos uns ciclistas e perguntamo-nos: quem são aquelas pessoas que, como nós, um dia também tiveram a coragem de sair de casa com a bicicleta?
[1] Rosa Félix (2012) Gestão da Mobilidade em Bicicleta - necessidades, factores de preferência e ferramentas de suporte ao planeamento e gestão de redes. O caso de Lisboa. Dissertação de Mestrado, Instituto Superior Técnico - Universidade Técnica de Lisboa, Portugal.
Há seis anos, quando comecei a andar de bicicleta em Lisboa nas minhas deslocações, raras eram as vezes que me cruzava com outro ciclista. Quando tal acontecia, era inevitável uma troca de palavras: saber para onde ia, de onde vinha, se costumava andar de bicicleta ali pela estrada; ou se íamos em sentidos contrários: um “dling-dling” acompanhado de um sorriso. Conhecíamo-nos todos, pelo menos de vista. Nessa altura, e acompanhado da inauguração de mais troços de ciclovias, assistia-se a um “mini-boom” de bicicletas na cidade de Lisboa. Digo mini porque ainda assim não éramos muitos… mas notava-se que o número estava a aumentar.
A Bicicletada (também conhecida por Massa Crítica) começava a crescer, e a barreira dos quinze participantes mensais era ultrapassada. O passa-palavra entre amigos e colegas no local de trabalho ou faculdade foi talvez um dos mais importantes factores que impulsionou que houvesse mais bicicletas na cidade.
No Verão de 2009, mais bicicletas. Todos os programas políticos para as eleições autárquicas dessa altura não deixavam passar ao lado medidas de incentivo à utilização da bicicleta, o que era um bom indicador da sensibilidade para as questões da mobilidade em bicicleta. A rede ciclável tinha mais 40km de ciclovias, e foram criados mais 750 lugares de estacionamento para bicicletas, espalhados pela cidade.
Em Setembro do mesmo ano, no sexto aniversário da Massa Crítica, 180 pessoas encheram as ruas, muito felizes com a quantidade de pessoas que tinham aderido. Era uma questão de ’rezar’ para que estes não fossem apenas ciclistas de eventos ou de fim-de-semana, e passassem a ir para os seus trabalhos ou escola com este modo de transporte, dando-lhe mais visibilidade nas filas de automóveis parados no trânsito, que se ultrapassavam com boa disposição.
Em 2010, esse número passou para 250, e em 2011 para 450. Ultimamente, mesmo nos meses mais frios, a fasquia não tem descido abaixo dos 150 participantes – dez vezes mais do que nos seus primeiros anos.
Várias iniciativas contribuíram para um crescimento de utilizadores de bicicleta nos últimos tempos. As Bicicletadas passaram a existir em mais cidades e as Cicloficinas a serem mais frequentes. A MUBi foi criada de modo a dar uma certa formalidade às questões que vinham sendo discutidas informalmente em mailing-lists. Os transportes públicos começaram a dar resposta ao transporte de bicicletas. Começam a aparecer algumas lojas dedicadas a bicicletas urbanas, a par de novas publicações – quem se lembra d’A Jingla?
A Câmara Municipal de Lisboa também foi acompanhando esta nova tendência: o sistema de bicicletas de uso partilhado começou a ser pensado, mesmo ainda antes de surgirem noutras cidades europeias. Passaremos a ter um boom a sério quando este sistema for finalmente implementado, tal como aconteceu em Paris ou em Londres.
Hoje em dia, é quase inevitável o cruzamento com quatro ou cinco ciclistas num trajecto urbano. As caras já não são fáceis de fixar, como outrora. Desde 2009, o crescimento tem sido exponencial. Um inquérito feito recentemente a mais de mil pessoas mostrou que metade só começou a andar de bicicleta em Lisboa nos últimos três anos. Dados da PSP do Comando Metropolitano de Lisboa também indicam que o número de furtos (registados) de bicicletas mais do que duplicou entre 2007 e 2011, o que apesar de ser um mau sinal, é um bom sinal.
![]() |
| Tendência do nº de utilizadores de bicicleta em Lisboa, com base num inquérito realizado a 1070 ciclistas [1]. |
Texto publicado na Revista B - Cultura da Bicicleta, em Março de 2012
[1] Rosa Félix (2012) Gestão da Mobilidade em Bicicleta - necessidades, factores de preferência e ferramentas de suporte ao planeamento e gestão de redes. O caso de Lisboa. Dissertação de Mestrado, Instituto Superior Técnico - Universidade Técnica de Lisboa, Portugal.
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