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20 junho 2013

Tolerar ou não os shoppings

O Bernardino levantava há tempos a importante questão da proliferação dos shoppings em Lisboa, os eucaliptos comerciais que secam o comércio tradicional. Independentemente dos gostos pessoais sobre os ditos, há que ver que a abertura de um shopping não é uma decisão comercial como outra qualquer, dadas as consequências que acarreta.
A morte do comércio local não é apenas a troca de um modelo comercial por outro, implica tirar a vida à cidade, retirando-lhe qualidade de vida, descaracterizando-a, reduzindo o movimento e criando sentimento de insegurança. Os shoppings levantam também problemas logísticos, propiciam as auto-estradas dentro da malha urbana, promovem uma mobilidade centrada no automóvel em detrimento de uma mobilidade mais humana.
É sinal do nosso individualismo bacoco (o mesmo que aceita as marquises ilegais e monos urbanísticos, porque o dono é o senhor supremo do seu pedacito de cidade) que se aceite  mais e mais shoppings sem discussão pública.
Vivi numa cidade holandesa, que apesar do seu tamanho médio (200 mil habitantes), estava até então livre de shoppings. Quando essa hipótese se pôs por pressão de um grupo de distribuição, o município decidiu delegar a decisão aos cidadãos num referendo local. 
O shopping perdeu, e a ideia morreu aí.

03 junho 2013

O cancro dos 'Shoppings'


 É inspirador o facto de que esta vaga de protestos na Turquia, contra a deriva autoritária do Governo de Ankara, se tenha iniciado com uma manifestação de protesto contra a construção de um centro comercial.

Infelizmente, a construção e abertura de centros comerciais nas cidades, que tanto contribui para a sua morte e desumanização, talvez por não ter aquele efeito dramático e imediato, que jornalistas e bloggers tanto apreciam, talvez por não dar uma boa foto, costumam ser relativamente tolerados no nosso país, sem "alertas" nas redes sociais ou na comunicação social.

Em Portugal, a quota de mercado do chamado "comércio tradicional" ou "de rua", caiu nos últimos 20 anos para uns míseros 15%. Enquanto isso, a área de metros quadrados de shopping per capita é das mais elevadas da Europa.

 As pessoas que este fim-de-semana almoçaram, passaram a tarde e jantaram neste Shopping delicodoce, foram objectivamente retiradas das ruas, praças e jardins da cidade através de más políticas urbanas.

A abertura de centros comerciais, regra geral, "seca" todo o comércio tradicional em volta. Ou o comerciante se sujeita a deslocar para o Centro Comercial ou pode estar condenado ao desaparecimento. 

Nos centros comerciais as lojas estão todas juntas, há sempre lugar para estacionar, o ambiente é metodicamente climatizado, a luz é a ideal, a musiquinha é suave, não há gente a pedir e há videovigilância e funcionários da segurança por toda a parte.

No Freeport de Alcochete é proibido "tocar ou cantar qualquer tipo de música" e os visitantes "devem estar devidamente vestidos". Mas em troca desta "cidade delicodoce", que atrai muitos clientes para o passeio de fim-de-semana ou final de tarde, são exigidas rendas de milhares de euros. Quem sobrevive? Não o pequeno comércio familiar, mas sim as grandes multinacionais e franchisings, capazes de esmagar custos operacionais, nomeadamente de pessoal.

Por outro lado, uma cidade sem "comércio tradicional" é uma cidade que morre. As pessoas deixam de andar pelas ruas, as ruas tornam-se desertas, mais inseguras menos aprazíveis.

É como que um ciclo vicioso, que transforma o rosto da cidade, que afasta o cidadão da vida pública e que o converte cada vez mais em mero consumidor que deambula pelos grandes espaços privados de uso colectivo que são os ‘Shoppings'.


 Ninguém saberá ao certo calcular os prejuízos que o centro comercial Colombo, inaugurado por João Soares, terá causado à cidade e em particular aos bairros de Benfica.