Mostrar mensagens com a etiqueta Divulgação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Divulgação. Mostrar todas as mensagens

07 março 2013

DEBATE Niemeyer, Brasília e a cidade moderna


O nome de Óscar Niemeyer, recentemente desaparecido, é universalmente reconhecido como figura incontornável da arquitectura moderna. Esse reconhecimento deve-se sobretudo às obras projectadas para a cidade de Brasília no final da década de 1950. Brasília, por sua vez, pode ser considerada como o mais amplo e completo exemplo concretizado dos princípios funcionalistas do urbanismo e da arquitectura modernos, tal como foram estabelecidos pelos Congrès Internationaux d’Architecture Moderne (CIAM) nos anos 1920/30 e fixados na chamada «Carta de Atenas» (1933) por Le Corbusier.

Em conjunto, a obra e o percurso de Niemeyer, o plano e a construção de Brasília e os princípios do urbanismo e arquitectura modernos, podem de certo modo ser vistos como diferentes níveis de análise sobre o complexo papel social e político da teoria e prática arquitectónica moderna na história do século XX: as suas contradições e aporias, convergências e divergências, apologias e críticas. Se por um lado o movimento moderno tentou apresentar-se a maioria das vezes como um projecto exclusivamente técnico, por outro lado, sempre procurou fundamentar-se na ideia de uma transformação social total através da simples construção de novas formas urbanas e arquitectónicas, onde o exercício de arquitectura aparece como um exercício de «engenharia social». Ao mesmo tempo que se apresenta como um projecto apolítico e um «estilo internacional», vê-se progressivamente a participar na consolidação e auto-representação de diversos Estados-nação através de projectos-símbolo de modernização social. Se começa por ser uma síntese progressista entre as vanguardas artísticas e os avanços técnico-industriais da Europa Ocidental entreguerras, será apenas a partir da destruição da Segunda Guerra Mundial que terá oportunidade de execução prática e será nas fases de modernização atrasada dos países de passado colonial das décadas de 1950 e 1960 que realizará os projectos mais ambiciosos (Brasília, Chandigarh, Islamabad, etc).

No urbanismo e na arquitectura modernistas, e naturalmente também em Niemeyer e Brasília, cruzam-se assim de forma ambígua diversos temas do pensamento social, político e cultural moderno (utopia e ideologia, capitalismo e socialismo, revolução e reformismo, poder e dinheiro, política e arte, etc.), cruzamentos que observados retrospectivamente revelam problemáticas fundamentais, porventura ainda hoje longe de terem sido verdadeiramente ultrapassadas.

Mais do que uma evocação de Niemeyer ou uma discussão sobre o exemplo concreto de Brasília, a Unipop e a revista Imprópria propõem um debate que, partindo daí, aborde esses diversos cruzamentos sob a perspectiva da cidade moderna.

21 janeiro 2013


Na próxima 5ª feira, na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, Rui Pereira apresenta o seu livro "Tempos", no âmbito da inauguração de uma exposição da sua Obra Gráfica, com um espectáculo musical e mais algumas surpresas.

Rui Pereira é um designer gráfico, um artista, de indiscutível valor. É também funcionário da CML. Um dos cerca de 9.500.

Lembro-me bem da sua desorientação e angústia quando no seu serviço, há uns anos atrás, as suas chefias, por pressão do então Vereador José Cardoso da Silva, exigiram-lhe que passasse a "picar o ponto". Entrar a horas e cumprir escrupulosamente o seu horário.

Foi uma medida que tinha toda a razão de ser para um grande conjunto de funcionários, que desempenham tarefas, por exemplo de atendimento ao público ou mesmo de back-office, e cuja quantidade e eficácia do trabalho que realizam está directamente ligada ao número de horas que trabalham em articulação com os munícipes e o resto dos serviços da Câmara.

É uma medida que não tem sentido para funcionários como o Rui, que tanto podem trabalhar no edifício da Câmara como em sua casa (com poupanças para a própria Câmara, neste caso), que podem trabalhar com grande qualidade pela noite fora, quando eventualmente têm inspiração para isso, e podem ser totalmente inúteis se os obrigarem a criar cartazes das 9 às 5.

Conto esta pequena história para dizer que qualquer que sejam as reformas - que são necessárias - na Administração Pública, há que ter a audácia de privilegiar a autonomia e a responsabilização das várias Divisões ou Unidades e não tratar tudo, toda a grande máquina da Administração, da mesma forma, com directivas rígidas de cima para baixo, que se focam exclusivamente no controlo do aparelho e no cumprimento de todas as normas, em vez de se focarem no objectivo final que é, enfim, que a Câmara/o Estado funcione bem, com justiça e que preste um serviço de qualidade aos cidadãos.