09 dezembro 2012

Shared space

O Shared space ou espaço partilhado é um conceito urbanístico relativamente recente. Nos anos 50, em Lisboa, faziam-se largas avenidas com passeios menos largos, para o que um dia viriam a ser as grandes artérias automóveis da cidade.
Esta imagem mostra um enorme shared space à época, com pessoas a caminhar, a conversar, a jogar à bola, com eléctricos e automóveis - todos a partilharem o espaço central - com entendimento e sem grandes regras definidas sobre o lugar de cada um. Ainda.

Corredor Verde de Monsanto


Gonçalo Ribeiro Telles foi um dos primeiros políticos portugueses a dar atenção às questões ambientais e da ecologia. Algumas das propostas dele, como as Hortas Urbanas, foram alvo de chacota de idiotas durante décadas e hoje são a imagem de marca de uma política urbana do século XXI.

Contra ele, no entanto, pode-se argumentar que foi Secretario de Estado e Ministro, bem como Vereador da Câmara Municipal de Lisboa. Teve, portanto, a possibilidade de ter inaugurado o Corredor Verde de Monsanto, sem ser o convidado de honra de António Costa e José Sá Fernandes, mas sim o próprio anfitrião de pleno direito. 

06 dezembro 2012

"isto merece uma buzinadela" ?


Do jardim da casa da minha avó, na Costa do Castelo, a vista era deslumbrante.

Curiosamente, essa casa foi vendida, após o seu falecimento, a um preço relativamente baixo para a casa que era. Ninguém pegava nela, o preço foi baixando e acabou por ser um casal de holandeses que a comprou. Os primeiros compradores que não colocaram objecções a que uma casa de sala gigante com vista para Lisboa, com terraços e jardins que vão encostar à muralha do Castelo, não tivesse garagem.

Mas não era sobre isto que eu queria escrever.

Queria contar que do jardim da minha avó via-se toda a cidade e ouvia-se ininterruptamente buzinas e mais buzinas ao longe.

É realmente impressionante: milhares e milhares de automobilistas a chamar a atenção para o amigo que vai no passeio; a avisar o carro da frente que semáforo está verde e que eles não têm tempo a perder; ou pura e simplesmente a agredir o peão ou o ciclista que não lhes deu humildemente passagem, com os 110 decibéis da buzina (é sabido que acima dos 85 decibéis há danos irreversíveis no aparelho auditivo); causam uma "nuvem" de poluição sonora em Lisboa, que é quase sempre menosprezada, mas que tem efeitos tão ou mais graves na saúde e na qualidade de vida como a poluição atmosférica ou o não cumprimento das rigorosas regras de higiene alimentar que a ASAE impôs aos restaurantes e tabernas da nossa cidade.