28 janeiro 2015

Não vale tudo!

Porque há que lutar contra as politicas de má fé.
Porque há que lutar pela recuperação do serviço competitivo dos transportes públicos.
Porque há que exigir a real melhoria de nível de serviço pelo aumento do custo final dos títulos de transportes públicos.
Porque a redução de custos das empresas não pode ser cega ao contributo que, muitos dos seus recursos humanos prestaram, ao longo da sua vida ativa de muitas décadas em defesa do serviço público.

Desculpem, mas não vale tudo!


“Fomos empurrados para a rua. Nós não queríamos ir, queríamos estar a trabalhar, mas, para reduzir o pessoal, para a empresa ficar mais viável, convidaram-nos a ir embora com o complemento e, depois de nos apanharem na rua, puxaram-nos o tapete”.
 “Além de perderemos 40 a 60% daquilo que ganhávamos, fomos absolutamente enganados com má-fé, porque todos nós viemos antecipadamente e se viéssemos agora estávamos a ganhar mais 6% ao ano, porque não eramos penalizados. Eu, que saí há quatro anos, tinha mais 25% se me tivesse reformado agora”.

16 janeiro 2015

Cartazes políticos também são cartazes

Naquele tempo debatíamos na Coordenadora Concelhia de Lisboa do Bloco de Esquerda o impacto visual da publicidade no espaço público, nomeadamente, claro, da publicidade autorizada ou negociada como contrapartida pelo Vereador Sá Fernandes, o então inimigo nº1 do BE.



Sugeri que a nossa posição sobre a "poluição visual" fosse mais abrangente e tivéssemos mesmo um plano de erradicação da publicidade no espaço público dentro de certo perímetro: Grandes telas publicitarias na loja das meias e passagens aéreas da Vodafone não poderiam existir, tal como não poderiam haver chapéus de sol da Sumol, anúncios luminosos da Coca-cola, esplanadas da SICAL… bem como, claro, os mupis dos partidos políticos, agarrados aos postes.

Claro que Luiz Fazenda aproveitou a deixa para rasgar as vestes, «ai que querem proibir o nosso Bloco de Esquerda de transmitir a sua mensagem»




Serve esta história para dizer que naturalmente não me passa pela cabeça limitar a liberdade de expressão de quem quer que seja, muito menos de partidos políticos… Mas creio que é possível regulamentar minimamente a colocação de  mupis, outdoors e cartazes (publicitários e políticos), sem atentar contra a liberdade de expressão e propaganda.

A título de exemplo, deixo aqui 3 critérios que me parecem básicos:

1. Não causar prejuízos a terceiros, nomeadamente em termos de danificação de espaço público (calçadas, espaços verdes, etc)
2. Não prejudicar a mobilidade pedonal, nomeadamente de deficientes, carrinhos de bébé, etc.
3. Não obstrução de monumentos, edifícios e paisagens de interesse público



Sobre este assunto, surgiu recentemente um grupo no Facebook , que é bastante pertinente e ainda será mais, há medida que se vão aproximando os actos eleitorais.

Foi aliás de lá que retirei a generalidade das fotos deste post.

06 janeiro 2015

O estacionamento como função social das juntas e câmaras

A notícia de que o estacionamento por baixo do Príncipe Real não vai mesmo avançar é uma excelente novidade para Lisboa. Mas continuando a ler a notícia, fico na realidade triste com o que aparece. Diz o texto que "ainda assim, para Carla Madeira [presidente da Junta de Freguesia], continua a existir a necessidade de estacionamento naquela zona, pelo que defende a construção de um outro parque", seguindo-se uma discussão das possíveis localizações.
Nem me refiro ao anacronismo de a maioria dos autarcas achar que é sempre preciso mais e mais estacionamento, mas algo pior e que abrange muito mais gente. Refiro-me à ideia, muito entranhada entre nós basta falar com um autarca ou ler as discussões sobre a cidade, que cabe às autarquias providenciar estacionamento. Reparem, há imensas pessoas sem casa, mas as autarquias tem um papel limitado na habitação. Há imensas pessoas desempregadas, mas as autarquias não estão a criar emprego. Há pessoas a passar fome, mas ninguém acha que a culpa é das câmaras e juntas.
Há tarefas que pela sua natureza têm de passar por uma entidade pública central, como licenciamentos, inspeções, iluminação, esgotos, limpeza urbana, etc. mas o estacionamento não é um desses casos. Não me refiro ao estacionamento na via pública, que obviamente tem de ser gerido por uma entidade pública, mas ao estacionamento construído de raiz, seja em subterrâneos ou silos, que é o que está em causa. Nada proíbe um privado de construir e operar um estacionamento, como aliás se comprova pela existência de alguns* na zona referida.
Não está em causa uma escolha política de esquerda vs. direita, de mais serviços providenciados pelo Estado vs. pelo mercado, mas um problema de prioridades sociais.  É assumido por todos que o emprego, a alimentação e a habitação são tarefas que podem ser entregues na sua quase totalidade ao mercado, mas cabe ao Estado garantir a "habitação para os automóveis".
*O facto de serem em número reduzido, prova que o estacionamento é subsidiado nas nossas cidades.

03 janeiro 2015

Exposições de garagem

Fui hoje pela primeira vez ao "novo" espaço de exposições do CCB, a garagem Sul.

Aparentemente, quanto projectaram e construíram o Centro Cultural de Belém, uma das mais polémicas obras da cidade, não só pelo seu impacto junto à zona histórica do Mosteiro dos Jerónimos, mas sobretudo pelo seu custo (a obra com o que o Cavaquismo assinalou a Presidência Portuguesa da CEE custou cerca de 200 milhões de euros, cerca de 6,5 vezes mais do que o inicialmente previsto), quando projectaram o Centro Cultural, dizia, sub-dimensionaram o espaço para exposição relativamente ao espaço de estacionamento.

A solução, passados todos estes anos, foi naturalmente transformar um dos parques em sala de exposição.

O acesso é meio manhoso, mas o espaço serve perfeitamente para o que se quer.



Mais garagens subterrâneas, nomeadamente no centro da cidade, se transformassem em salas de exposição, ginásios, dancetarias, salas de ensaio e de espectáculo, e outros locais que não necessitem de janelas para funcionar.