13 março 2013

O princípio do fim das bicicletas partilhadas em Lisboa

O princípio das bicicletas partilhadas é simples: estou no local X e quero ir ao local Y. Se a distância é algo entre 1km a 5km, a bicicleta é provavelmente o meio de transporte mais rápido para fazer esse percurso. Mas... há um detalhe, há que ter uma bicicleta. Há que trazê-la de casa, há que levá-la para casa, há que andar todo o dia com ela atrás.
Um taxi pega-nos e deixa-nos num sítio qualquer, e o sistema de bicicletas partilhadas segue a mesma ideia. Apanho uma bicicleta em X, largo-a em Y, e não me volto a preocupar. Para tal são necessários vários pontos com bicicletas estacionadas, prontas a serem apanhadas e largadas.
Um grande número de cidades europeias já aderiu a este sistema. Em muitos casos, como Barcelona, Lyon ou Paris, o sistema revolucionou a mobilidade na cidade, tendo sido o detonador do boom da mobilidade ciclável nessas cidades.
Em Lisboa a ideia existe há vários anos. Já houve concurso lançado, diálogo concorrencial, vencedor, avanços e recuos, e finalmente a falta de financiamento parece ter posto esta revolução de mobilidade em banho-maria. 
A CML parece agora desistir do programa em favor de uma versão anorética do mesmo. A EMEL (que já tem um serviço de aluguer de bicicletas a quem estacione nos seus parques... cujo sucesso é no mínimo duvidoso) ficará encarregada de fazer um sistema de aluguer para inglês ver, que será restrito a meia-dúzia de locais na cidade. A grande vantagem do bike-sharing é a sua versatilidade, introduzir um sistema anorético é como iniciar um sistema de taxis com apenas meia dúzia de pontos de partida e chegada dentro da cidade. Quem quer apanhar o seu taxi/bicicleta partilhada noutro ponto qualquer ou sair noutro ponto qualquer, que traga o seu carro/bicicleta de casa. Poderá funcionar como serviço de passeio, mas dificilmente será um serviço de transporte.
O grave é que depois do mais que provável falhanço desta alternativa, dificilmente haverá espaço de manobra político para lançar um sistema decente.



3 comentários:

  1. És capaz de ter razão: Uma solução mitigada pode deixar menos vontade política para fazer uma coisa melhor no futuro. Cabe agora aos cidadãos (e aos blogs;)) não deixar cair a ideia.

    De referir que se não fosse a Assembleia Municipal já tinhamos bicicletas de uso partilhado antes mesmo de a troika ter aterrado na portela.

    Infelizmente a direita e a esquerda uniram-se nisto para lixar o Sá Fernandes e quem se lixou mesmo foi a cidade.

    ResponderEliminar
  2. Tínhamos mesmo? Na altura em que o projecto foi à AM já se sabiam dados quanto ao no. de estações, distribuição geográfica das mesmas e esquema de financiamento?

    ResponderEliminar
  3. A EMEL é aquela "empresa" (leia-se: eficiente sorvedouro do erário publico pejado de incompetentes) que tinha dividas de milhoes de euros com a CML e desde de 2012 passado passou ao resultados positivos... porque a CML aceitou ceder os cerca de 10 milhoes para Capital Social? Agora vai continuar a perder dinheiro e ainda por cima a querer concorrer com pequenas empresas que vivem com recursos escassos como muitas outras iniciativas privadas? Será que a CML não se vai esquecer de apoiar financeiramente os projectos privados? Sendo a EMEL um sorvedouro sem fundo... estas empresas pelo menos esforçam-se por ser eficientes!

    Bela imagem que os supostos Turistas levam de Lisboa, Capital de Portugal e dos Portugueses... andam uns à rasca a negociar a Dívida Publica
    mas têm um presidente de Camara e uns vereadores na sua Cidade Capital q
    vivem na estratosfera e decidem por isso estragar dinheiro que nem têm, nem vão ter... e ainda estragam a vida a empreededores q investem na cidade e aos seus colaboradores... bela imagem de incompetência de facto...
    Não se espantem pois se na eleições autárquicas em Outubro pagarem por isso. Os Municipes já não os analfabetos de outros tempos e os media tb não se controlam da mesma maneira...

    ResponderEliminar