18 abril 2013

Câmara quer entregar Teatro Mário Viegas à Produções Fictícias

A Vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto, provavelmente até por já ter tido chatices com a Inspecção Geral das Finanças quando era Secretária de Estado da Cultura, é conhecida por ser extremamente zelosa no cumprimento dos procedimentos formais de contratação pública, burocracias várias, etc.

Se são assim que estão desenhadas as regras, como critica-la? Pouco mais podemos dizer do que lamentar que tantos funcionários, dirigentes e servidores públicos acabem por meter todo o enfoque no cumprimento de normas formais e procedimentos estabelecidos e quase nenhum nos objectivos finais da sua Missão, cujas normas e procedimentos deveriam justamente ajudar a levar a bom porto e não dificultar... É um problema complexo da Administração Pública, nada fácil de solucionar.

Não estranho por isso que a argumentação da Vereadora para retirar o a sala Teatro-Estúdio Mário Viegas (TEMV) à Companhia de Teatro do Chiado (CTC) passe por "não estar a cumprir o estipulado, nomeadamente a obrigação de enviar o plano de atividades e o respetivo orçamento até 31 de janeiro", embora não seja só essa a razão e eu não tenha informação para avaliar se a CTC deva ou não continuar a ter o apoio da câmara na ocupação do TEMV.

 O TEMV, para quem não sabe, é aquele equipamento mais pequeno ao lado do S. Luiz, no Chiado

Não tenho essa informação mas também não será preciso ter mais informações do que as do Vereador do CDS para ter as mais sérias dúvidas com a entrega do TEMV às "Produções Fictícias" (com mais um envelope financeiro de 60 mil euros!): «a 'Produções Fictícias' é uma sociedade comercial que vende conteúdos, sem concurso público», disse António Carlos Monteiro.

A direita vê nisto um claro favorecimento de uma "empresa esquerdista"; "o Costa quer fazer um favor ao Ricardo Araújo Pereira", etc (admira-te!...) ao mesmo tempo que descobriu agora o contributo absolutamente extraordinário da CTC para a cultura da cidade.

 "O Inimigo Público" é um dos projectos das PF que mais acompanho e aprecio... e muita porrada leva lá o Governo!


Quanto a mim, nem Produções Fictícias nem CTC.

Não temos tantas salas de teatro no coração de Lisboa para estar a cedê-las de ânimo leve e por períodos prolongados a estes ou àqueles.

O TEMV, à imagem do S. Luiz e Maria Matos, deveria ser gerido directamente pela empresa pública EGEAC e deveria acolher uma diversidade tão grande quanto possível de projectos na área das artes preformativas. Isso sim, seria verdadeiro serviço público e apoio à cultura. 

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