16 abril 2013

Uma aventura no "interface" de Alcântara

"Próxima Estação: Alcântara-Terra. Há correspondência com (...) a Linha de Cascais".
É o que diz a voz gravada no comboio da "Linha da Azambuja" quando estamos a chegar a Alcântara-Terra. É natural que sintamos aquela confiança que a palavra "correspondência" em matéria de transportes nos indica: a de que poderemos circular de forma simples até à referida estação de correspondência (Alcântara-Mar). De facto a estação é já ali à frente, mas a "interface" é um engano. Falta tudo: Sinalízação, passadeiras, espaço pedonal (mínimo), pavimento adequado e liso para malas com rodas, escadas rolantes avariadas, passagem subterrânea em Alcântara-Mar um susto inenarrável.
A aventura começa da pior maneira: o atravessamento da Rua Prior do Crato é ao melhor estilo de Bombaim. Não há passadeira e os carros vêm de todos os lados. Os peões LITERALMENTE ARRISCAM a vida, tirando partido do tráfego estar bloqueado na maior parte do tempo e ser possivel "negociar" à vista com os condutores. Acaba por ser mais seguro do que parece, porque pela cara dos condutores, estamos em presença de "Peões suícidas", pelo que é melhor deixá-los passar. A foto seguinte fala por si.
Prossigamos a nossa aventura. Não morremos ao atravessar a Rua Prior do Crato. 
O que aí vem a seguir na apertada Rua João Oliveira Miguens é menos grave, mas pode ser fatal, sobretudo no sentido Norte-Sul. A rua, de sentido único, não tem espaço pedonal, já que há estacionamento. Mais uma vez é necessário acreditar que o carro que vem atrás de nós nos vê e nos dá tempo de podermos esconder-nos por entre os carros estacionados. O pavimento são cubos largos, impróprio para circular, sobretudo no contexto de uma "interface" entre duas estações.
Na Rua de Cascais gozamos de um momento de descanso. O passeio é muito largo e, apesar da calçada, é recente e lisa e a arte urbana do lado esquerdo distrai. Avancemos para o último nível: descer a passagem subterrânea sob a Avenida da Índia. 
As fotos mostram um cenário inqualificável. As escadas rolantes há muito que não funcionam, está tudo grafitado, sujo e há água pelo chão. As casas de banho estão encerradas, não há ninguém na estação, até um antigo café fechou. Faltam calhas para as bicicletas (seria um detalhe, mas estamos numa "interface"...).



A aventura seguinte seria subir às plataformas e esperar o comboio. A estação de Alcântara-Mar é a imagem da degradação ferroviária e o serviço da Linha de Cascais tem sido notícia pelas piores razões. Poupo esse assunto para outras "aventuras". Esta já tem que chegue.

4 comentários:

  1. Muito bom post! É isso mesmo!

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  2. Nos anos 90 havia uma passagem aérea entre as 2 estações, com tapetes rolantes. Não sei porque tiraram...

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  3. Muito bem relatado este escândalo. Ainda por cima os acessos às estações de Alcântara, quer -Terra quer -Mar não são coisas complicadas de resolver.

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